Desde o fim de 2023, os GPTs personalizados são o jeito mais fácil de dar ao ChatGPT um trabalho fixo: um redator de propostas com o estilo da casa, um tutor com o material de um curso, um assistente de suporte que chama a sua própria API. Milhões foram criados, e muitas equipes dependem discretamente de alguns deles.

Em setembro, a OpenAI anunciou que eles vão acabar. O substituto são os plugins, um formato que o ChatGPT agora divide com o Codex. Se você criou um GPT, ou se sua equipe depende de um feito por outra pessoa, os próximos dois meses importam. O botão de migração faz boa parte do trabalho, mas não tudo.

As datas

A página de ajuda da OpenAI e a cobertura sobre o tema trazem este calendário (perguntas frequentes da OpenAI sobre a migração; Virtualization Review):

DataO que acontece
11 de setembro de 2026Mudança anunciada nas notas de versão do ChatGPT; administradores Enterprise avisados
22 de setembro de 2026Meta para a ferramenta de migração e o aviso no app aparecerem nos espaços Enterprise (uma meta, não uma garantia)
26 de outubro de 2026Fim previsto da criação de novos GPTs nos espaços Enterprise afetados. Os existentes continuam funcionando
11 de dezembro de 2026Aposentadoria prevista. Os GPTs personalizados param de rodar e saem do diretório
11 de fevereiro de 2027Prazo final para clientes Enterprise com prorrogação aprovada

A OpenAI avisa que a data mostrada no aviso da sua conta ou do seu espaço de trabalho pode ser diferente, então confira primeiro. No r/ChatGPTPro, usuários também notaram mudanças a partir de meados de setembro (tópico).

O que migra e o que fica para trás

A migração embutida copia as partes de um GPT que são só texto e arquivos. Tudo o que era configuração, conexão ou relação com usuários fica para trás.

Parte do seu GPTDepois da migração
InstruçõesViram uma skill dentro do novo plugin
Arquivos de conhecimentoCopiados como arquivos de referência
Apps conectadosAdicionados ao plugin como apps
Ações personalizadas (suas próprias chamadas de API)Não são transferidas. Refaça com um app disponível ou um servidor MCP próprio
O modelo que você escolheuNão é mantido. No Enterprise valem os padrões do espaço
Conversas existentesNão vão para o plugin
Compartilhamento e quem tinha acessoZerados. O plugin nasce privado; é preciso instalar e compartilhar de novo
Rascunhos e edições não publicadasIgnorados. Só a última versão publicada migra

Mais dois detalhes pegam as pessoas de surpresa. Depois de migrar, o GPT original vira somente leitura e não pode ser apagado; ele só roda até a aposentadoria. E se você apenas usa o GPT de outra pessoa, ter acesso a ele não dá acesso ao substituto: o criador vai precisar compartilhar o plugin com você.

O que é um plugin, na prática

Um GPT personalizado era uma cópia separada do ChatGPT com personalidade e configurações próprias. Um plugin é um pacote de capacidades que você adiciona ao ChatGPT ou ao Codex. Ele pode ter uma ou mais skills (instruções e recursos para uma tarefa repetível), um servidor MCP que dá acesso a ferramentas e sistemas externos, ou os dois. ChatGPT e Codex dividem um único diretório de plugins (Virtualization Review).

É uma mudança de verdade, e nem todo mundo gostou. A reclamação mais votada do mês no r/ChatGPTPro vem de alguém que cria GPTs há três anos. O argumento: um GPT começa cada conversa do zero, sem a sua memória salva nem suas instruções pessoais, que é exatamente o que se quer numa ferramenta de trabalho previsível. Projetos e plugins resolvem outros problemas (r/ChatGPTPro). A própria OpenAI admite que um plugin migrado pode responder de forma diferente e pede que você teste de novo.

Então trate a migração como uma reconstrução com vantagem, não como uma cópia.

Um plano de uma hora por GPT

1. Faça um inventário. Liste cada GPT que você criou ou do qual depende, quem usa e com que frequência. Os que ninguém abre desde o meio do ano, melhor aposentar do que migrar.

2. Guarde o que não vai junto. Copie as instruções para um documento, exporte os arquivos de conhecimento, anote o modelo escolhido e cada ação personalizada com a API por trás. Tire um print das configurações de compartilhamento.

3. Escreva um conjunto de testes antes de mexer em qualquer coisa. De oito a dez pedidos reais dos seus usuários, com o que seria uma boa resposta. Rode tudo agora no GPT antigo e salve as respostas. É o passo que quase todo mundo pula, e o único jeito de saber se o plugin se comporta.

4. Organize as instruções como uma skill. Instruções de GPT costumam crescer na base do remendo. Uma skill funciona melhor com um propósito claro, quando usar, entradas, passos só onde a ordem importa e o formato de saída. Nossa biblioteca tem um prompt pronto, “Prepare um GPT personalizado para migrar para plugin”, que faz essa reescrita e monta o conjunto de testes.

5. Migre. Quando a opção aparecer, vá em Meus GPTs, escolha Migrar para plugin no GPT, revise os detalhes e siga os passos.

6. Refaça as ações personalizadas. Se já existe um app que conecta ao serviço, use. Se não, é trabalho para um desenvolvedor: transformar a API em um servidor MCP e adicioná-lo ao plugin. Reserve tempo, principalmente no Enterprise, onde publicar e compartilhar plugins exige permissões de administrador específicas.

7. Rode os testes de novo no plugin, compare lado a lado e ajuste a skill até as respostas que importam baterem.

8. Compartilhe e avise. Instale, compartilhe com o mesmo grupo e mande o link novo. Senão, quem salvou o GPT antigo nos favoritos vai descobrir a mudança em 11 de dezembro.

Quando um plugin não é o formato certo

Nem todo GPT precisa virar plugin.

  • Assistentes pessoais com poucos arquivos: um projeto do ChatGPT com instruções e documentos anexados pode bastar, desde que você aceite que sua memória e suas instruções pessoais se apliquem.
  • Prompts compartilhados que não precisam de arquivos nem ferramentas: podem virar um prompt que a equipe copia. Um documento compartilhado simples é melhor que um produto que ninguém mantém.
  • Trabalho que precisa ser previsível em várias ferramentas: pode ir para um equivalente em outro lugar. Os Projects e Skills do Claude e os Gems do Google cobrem um terreno parecido, e uma skill escrita como arquivo de instruções simples viaja entre assistentes muito melhor do que um GPT.

Seja qual for o caminho, guarde as instruções escritas e o conjunto de testes em um lugar que seja seu. É a segunda vez que a OpenAI troca o formato de extensões; o primeiro sistema de plugins saiu de cena em 2024. Ter o texto em mãos deixa a próxima mudança mais barata.

Resumindo

O prazo é 11 de dezembro, e só passa disso com prorrogação Enterprise. Instruções, arquivos e apps conectados vão com um clique. Ações personalizadas, o modelo escolhido, as conversas e o compartilhamento, não. Salve tudo isso agora, monte um pequeno conjunto de testes, migre, teste de novo e compartilhe outra vez. Para entender como agentes e complementos mudam o risco, nosso texto sobre o que o verão de 2026 mudou na segurança de agentes explica por que vale fixar e revisar plugins, e o diretório de agentes de IA lista as ferramentas MCP que você pode precisar para refazer ações.